O QUE ANDEI LENDO POR ESSES DIAS
Alerta: Não São Scans, Apenas Resenhas
Confesso que só li Eisner com o advento dos scans. Claro que não foi uma coisa que eu pensasse, "ah, não quero ler Will Eisner", apenas vários fatores geo-sócio-econômicos me impediram de ter acesso às suas HQs.
Com o tempo eu acabei por esquecer esse grande mestre da arte sequencial, até que os scans de O NOME DO JOGO, feitos pelo Guilherme, caíram em minhas mãos. Eu, que mais fazia do que lia scans, acabei parando pra ler este. E foi como se um novo mundo, em termos de gibis, se abrisse diante de meus olhos.
Em resumo, os scans me relembraram da importância de Eisner, fazendo com que eu passasse a adquirir tudo que encontrasse dele.
Qualquer coisa que eu disser sobre um cara que tem um prêmio com o seu nome é chover no molhado. Mas, depois de ler suas HQs e até mesmo conhecê-lo através delas - já que Eisner tem muitas obras biográficas e semi-biográficas - acho que posso dizer o mesmo que Neil Gaiman disse, na introdução do encadernado, lançado pela Companhia das Letras, Nova York - A Vida Na Cidade Grande: "Will Eisner era amável, gentil, amigável, acessível, estimulante e, ainda assim, feito de aço".
E, tudo que Gaiman diz da pessoa de Eisner, pode ser dito de sua obra, principalmente no que tange à palavra "acessível". Ler suas HQs é ter acesso à sua mente, vida e e modo de ver o mundo e as pessoas. Muitas vezes é como se Eisner nos contasse algo pessoalmente, na mesa de um bar, enquanto tomamos uma cerveja ou algo do tipo.
Em apenas uma página, ele pode nos contar uma história de segundos ou de muitos anos com um poder de síntese incrível. Bom, não é para menos que o cara tem um prêmio com seu nome.
Ok, todo esse trelelé é só pra dizer que fiquei estupefacto ao ver na livraria aquela "nova" publicação chamada Nova York: A Vida na Cidade Grande. Um chumaço de mais de 400 páginas abarcando nada menos que quatro Graphics Novels, sendo que 3 delas creio que nunca foram publicadas por aqui, ou que pelo menos, eu nunca vi.
Tive de comprar e ler de uma tacada só esta ode à cidade pela qual o autor era um apaixonado. Contendo várias histórias de uma, duas, ou três páginas em sua primeira parte, Eisner analisa a cidade e as pessoas, e não dá pra se saber qual aspecto é mais pulsante. A Graphic Novel O Edifício é reprisada ali e, apesar de já ter lido, ler novamente é algo prazeroso. O restante da edição não deixa nem um pouco a desejar. Ou, na verdade, deixa. Deixa-nos querendo mais, apesar das mais de 400 páginas lidas.
Apesar do preço salgado, devido à edição volumosa que é, vale a pena ler essa obra-prima, nem que seja em pé, na livraria!
JUBIABÁ DE JORGE AMADO
Roteiro e Arte por Spacca
Confesso que nunca li Jorge Amado. Nunca fiz questão. Mas já li Spacca! Fiz questão de ler Santô e os Pais da Aviação e Dom João Carioca. E o cara é bom! Ele consegue transformar qualquer coisa, que nas mãos erradas poderia ficar um poço de chatice, em uma obra cativante, tanto no texto, quanto na arte.
Bom, e se eu nunca li Jorge Amado, imagine então saber o quê ou quem era Jubiabá. Olhando a capa pensei ser a mulher ou o homem retratados nela e não são. Então, adquiri o álbum e o li inteiro (na verdade fiz isso hoje de manhã).
Jubiabá conta a história de Balduíno - que começa na década de 20 - um negro sem pai nem mãe, que é criado pela tia que logo também falece. É levado para a casa de um rico português que aceita criá-lo, mas logo é posto pra fora quando a empregada faz intrigas dizendo que ele está de olho na filha do português. Daí em diante, Baldo (como é chamado) passa a viver a vida tirando dela o máximo que pode. Vai de mendigo à pugilista, artista de circo e até líder grevista.
Mas, quem é Jubiabá? É o pai de santo que acompanha os passos de Baldo de criança até adulto, a quem ele sempre recorre em busca de conselho, consolo e ajuda.
Spacca sempre se destaca pelo esmero em retratar tudo da forma mais fiel possível. Desde as ruas de Salvador até os rituais do Camdomblé, bela e respeitosamente ilustrados.
Pena que outras HQs baseadas em literatura nacional não tenham o mesmo esmero.
SURPREENTES X-MEN: VOL. 1
Joss Whedon, John Cassaday e Laura Martin
Nem sei quanto tempo faz que não lia nada de X-Men. Ler de verdade. Lembro quando os scans traduzidos de Astonishing X-Men pipocaram na internet, com direito a "belas" traduções que transformavam "grãos de café" em "feijões" (isso se tornou um clássico) e por aí vai. Não preciso dizer que isso tirou meu tesão de ler qualquer scans dessa série. Quando foi publicada por aqui, nas revistas mensais, também não li. Não compro revista mensal nem que me pague.
Então, saiu o encadernado há alguns meses. Apesar de ser todo ilustrado por um dos melhores artista dos quadrinhos atualmente, John Cassaday, de quem me tornei fã desde Planetary, ainda assim fiquei com um pé atrás - e a carteira também - em comprar.
Ser escrito por Joss Whedom não me dizia nada. Uma das coisas mais detestáveis que já se criou na TV foi o seriado Buffy a Caça-Vampiros. Mas o cara também foi o pai de uma ótima série de FC. Mas isso não me fazia achar que a série fosse realmente "surpreendente". Até que acabei comprando...
Posso dizer que não lia nada de X-Men tão bom desde a parceria Claremont/Byrne. A parceria Whedon/Cassaday se mostrou tão eficiente quanto. Trazendo um Cíclope com culhões, em nada parecido àquele arremedo de super-herói que vimos no filme. Uma Kitty Pride surpreendente, um fera cada vez mais animalesco, uma Rainha Branca cada vez mais sacana e um Wolverine...cada vez mais Wolverine.
Contendo dois arcos, sendo que o primeiro parece ser de onde tiraram o argumento para o terceiro filme, pois é sobre uma cura para a "doença" mutante. Mas a semelhança pára aí, já que na HQ a cura vem embalada em uma ameaça de guerra interplanetária, envolvendo um mutante que no futuro... bom, já falei demais.
O segundo arco achei o mais surpreendente. O tipo de coisa que você imagina: Putaquepariu! Como não pensaram nisso antes?! Nem dá pra comentar sem estragar a surpresa. Mas é interessante ver como Whedon, no meio de tanta mesmice, conseguiu se sobressair e fazer dos mutantes algo bom de se ler com um espírito renovado.
BIG GUY E RUSTY, O MENINO-ROBÔ
Frank Miller e Geoff Darrow
O detalhismo de Darrow é assustador, isso é algo que não se pode negar. Nesta HQ que chega aqui no Brasil com apenas 14 anos de atraso, isso pode ser visto em papel, ao vivo e à cores.
Graças aos céus existem os scans e assim a publicação não é totalmente estranha para mim, sendo que até mesmo eu li a versão traduzida com esmero pelo grupo BKS, se não me engano. Mas, o scan e a tela do computador não abarcam a arte de Geoff Darrow. Na verdade nem mesmo o papel. Para se tirar proveito de toda a extensão de suas ilustrações, o álbum teria que ser publicado em formato outdoor.
Neste gibi pra lá de maneiro, Frank Miller coloca um monstro gigante, criado em laboratório, atacando pessoas no Japão, que é encarado por um menino-robô e um robô gigante. Não precisamos ir muito longe para ver as referências e homenagens que vai desde personagens como Astroboy (do mestre Osamu Tezuka) aos velhos seriados japoneses com seus monstros de borracha.
Claro que isso, com o texto de Miller e a arte de Darrow é elevado a outro patamar. Os personagens até mesmo ganharam um desenho animado que durou pouco, mas que duvido que tenha conseguido chegar aos pés dos quadrinhos.
Um tanto quanto filosófico (sendo que a maior parte da "filosofia" é destilada pelo - pasmem - próprio monstro) a história nos leva a conhecer também Rusty, um robozinho em forma de menino que não se sai muito bem contra a ameaça, precisando assim da ajuda de um nada-simpático robô gigante americano.
A Devir não só lançou este álbum dos dois criadores, como relançou também, agora em cores, Hard Boiled: À Queima Roupa, que nos fala de inteligência artificial e andróides descontrolados. para conferir os preços de cada edição aqui citada, clique aqui.








































































